Ano I - Nº 01 - Abril de 2007

:: A ABJC tem nova diretoria

 

      A Associação Brasileira de Jornalismo Cientifico (ABJC) já tem nova diretoria. A chapa Jornalismo Científico e Sociedade , única inscrita para as eleições da entidade, está assumindo a ABJC a partir deste mês (abril de 2007) para a gestão 2007/2009. A nova diretoria da ABJC tem uma característica singular: é integrada majoritariamente por mulheres (a exceção é apenas o presidente) e todos os seus membros acumulam atividades jornalísticas e de docência.

      O programa da nova diretoria visa, fundamentalmente, reativar a entidade que andou com reduzida visibilidade e pouco dinamismo nos últimos dois anos, em virtude certamente do acúmulo de trabalho dos ex-diretores. A nova gestão prevê realizar este ano, mais precisamente em novembro, em São Paulo, o Congresso Brasileiro e desencadear uma série de ações para aumentar a interação com os sócios, o mercado profissional e acadêmico , com as sociedades científicas e a sociedade de maneira geral.

Uma nova proposta

      A Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC) completa 30 anos num momento singular da história da humanidade, caracterizado por mudanças imprevisíveis face às alterações climáticas, riscos de escassez de água e à necessidade de novas fontes alternativas de energia.

      É preciso reconhecer que assistimos, paralelamente, a uma evolução nunca vista na área de Ciência, Tecnologia e Inovação e que o Brasil tem marcado presença internacional no avanço do conhecimento..

      Neste cenário, em que as conquistas científicas e tecnológicas imprimem perspectivas de melhoria na qualidade de vida, ao lado de geração de riscos até então impensados, os jornalistas científicos devem estar mobilizados e capacitados para assumir um papel ativo e transformador no debate sobre a produção e a divulgação da ciência e da tecnologia brasileiras.

      Em lugar de meros tradutores do conhecimento científico e tecnológico – pressuposto básico para um jornalismo científico competente – devemos atuar como protagonistas no processo de formação da opinião pública, seja atuando na mídia, nas assessorias de comunicação dos centros geradores de C & TI, nos museus de ciência ou mesmo na Academia, onde, prioritariamente, se produz a ciência básica nacional e se capacitam os futuros profissionais de imprensa.

      Transformações no mundo do trabalho, das relações sociais e econômicas e também no âmbito da cultura, muitas vezes aceleradas pela revolução digital, exigem de todos os produtores do conhecimento capacidade para dialogar com o conjunto da sociedade, compartilhando seus saberes e experiências. Neste sentido, é fundamental que repensemos o papel da ABJC e dos jornalistas científicos em geral e sua inserção na sociedade.

      Entendemos que a Associação Brasileira de Jornalismo Científico tem um papel importante a desempenhar na organização e na representação profissional e política dos jornalistas brasileiros. Reconhecemos que é vital promover a democratização do conhecimento científico, contribuindo para o desenvolvimento de uma cultura científica e tecnológica que possibilite uma percepção clara da sociedade sobre os benefícios e riscos inerentes ao progresso. Além disso, é necessário despertar novas vocações para o importante trabalho da divulgação científica, assim como interagir com professores e alunos de diferentes níveis de ensino (básico, fundamental e superior) para uma leitura crítica do mundo.

      Ao longo de suas três décadas de vida, a ABJC mostrou-se muitas vezes bastante vigorosa e atuante mas, em outros momentos, apresentou-se extremamente frágil. A fragilidade tornou-se maior quanto mais permaneceu distante do conjunto dos jornalistas que, dia após dia, nas várias mídias, contribuem para a construção do imaginário e percepções públicas da Ciência, Tecnologia e da Inovação.

      A fragilidade ficou evidente quando ela deixou de dialogar com as instituições que representam os produtores de ciência e com as instâncias que, no setor público, formulam e executam as políticas brasileiras de ciência e tecnologia. Defendemos a tese de que a sociedade , os jornalistas científicos e também os pesquisadores da área precisam participar ativamente do processo de tomada de decisões e influir decisivamente para que as prioridades em ciência e tecnologia, num país escasso de recursos, estejam em sintonia com a demanda da maioria dos cidadãos.

      Pensamos que o aniversário de 30 anos é um momento privilegiado para a ABJC recuperar os seus momentos de maior vigor. Temos a convicção de que é fundamental dispormos de um espaço plural e democrático para que os nossos jornalistas científicos se organizem e se mobilizem, por múltiplas formas, através de sua Associação, para o debate das questões cruciais relativas à ciência e tecnologia.

      Queremos criar condições para a capacitação dos futuros profissionais e para o estabelecimento de parcerias com as instituições científicas, agências de fomento, museus e centros de ciência, órgãos governamentais, fontes especializadas e com as diversas instâncias da sociedade civil. Estamos comprometidos com o aumento da massa crítica na área e dispostos a participar mais ativamente dos fóruns de decisão. Desejamos estabelecer uma aproximação saudável e produtiva entre a Academia, o mercado profissional, o universo da comunicação e os diversos setores da sociedade.

      Fundamentalmente, queremos valorizar a ciência como forma de conhecimento e de apreensão da realidade, mas também contribuir para a avaliação do impacto do progresso técnico na vida dos cidadãos. Queremos continuar demonstrando que a ciência e a tecnologia, como produtos do homem, não estão imunes à ação dos grandes interesses e que, na prática, devem ser vistas sob uma perspectiva econômica e política mais ampla e não apenas em sua instância meramente técnica.

      Sentimos a necessidade de incluir os diversos setores da sociedade neste debate e de nos capacitarmos para, em nossa esfera de atuação, contribuirmos para um país mais justo, mais humano e mais democrático.

Programa básico

      A ABJC – Associação Brasileira de Jornalismo Científico completa 30 anos em 2007. A chapa Jornalismo Científico e Sociedade acredita que é fundamental reposicioná-la para atender às novas demandas e desafios. Deve atuar como uma instituição ativa no processo de formação de recursos humanos, assim como contribuir para a democratização do conhecimento científico e o desenvolvimento de uma cultura científica e tecnológica que possibilite uma percepção clara da sociedade sobre os benefícios e riscos inerentes ao progresso para escolhas conscientes.

      Iremos promover em novembro de 2007, em São Paulo, o Congresso Brasileiro de Jornalismo Científico, quando pretendemos lançar a Revista Brasileira de Jornalismo Científico. O evento em São Paulo deverá se configurar como uma nova fase para a ABJC, em que a instituição, junto com os jornalistas científicos do país marcarão uma postura crítica e analítica em relação à política nacional de C&TI.

      Acreditamos que os jornalistas científicos e a ABJC em particular precisam dialogar com os diferentes setores da sociedade, (mídia, governo, entidades científicas, museus de ciência, agências de fomento, ONGs, entre outros), participando, efetivamente, do debate nacional sobre temas relevantes na área de Ciência, Tecnologia e Inovação. Para tanto, estamos propondo um plano de ação a curto e médio prazo, que contempla:

a) Reorganização de sua estrutura administrativa, buscando imprimir a ela mais agilidade e eficácia, o que implica em maior interação com os seus associados, modernização de sua rede de relacionamentos, atualização de seu site etc. Pretendemos estimular a criação de seccionais e regionais, descentralizando os debates e a administração da ABJC, tornando-a efetivamente uma associação de alcance nacional. Para isto a nova diretoria elaborará um Regimento além de estudar a possibilidade de reformular o Estatuto para permitir o crescimento da entidade, maior representatividade dos Estados e favorecer a sua sustentabilidade;

b) Atuação mais intensa junto ao mercado e aproximação com as novas gerações de jornalistas que, nas várias mídias, estão cobrindo, sistemática ou eventualmente, a área de C&TI. Pretendemos aumentar consideravelmente o número de associados entre os profissionais das redações e estimular estudantes de Jornalismo a ingressarem na Associação;

c) Interação com a Academia, estimulando o desenvolvimento de projetos laboratoriais e acadêmicos (TCC, dissertações, monografias, teses) que tenham como foco o Jornalismo científico e a Divulgação científica de maneira geral. Pretendemos estabelecer um modelo básico, uma disciplina padrão de Jornalismo Científico e oferecer recursos bibliográficos (textos, links relevantes etc) para que os professores sejam estimulados a introduzir estes conteúdos na grade curricular dos cursos de Jornalismo;

d) Estabelecimento de parcerias com as entidades e sociedades científicas, buscando aumentar o fluxo de informações sobre pesquisa nas áreas de Ciência,Tecnologia e Inovação, de modo a gerar novas pautas e a aumentar o relacionamento entre os centros produtores de C & T e os meios de comunicação;

e) Criar canais de divulgação da ABJC com seus públicos de interesse (newsletter, revista digital e impressa) e propor a criação, em parceria com editoras comerciais ou universitárias, de uma coleção de textos nessa área;

f) Promover pesquisas, levantamentos e estudos que contribuam para refinar conceitos, analisar realidades, conhecer o mercado de atuação e o perfil dos profissionais que atuam nessa área. Tais subsídios poderão permitir que estabeleçamos, junto com as universidades, órgãos públicos etc, programas de capacitação, incentivo e financiamento;

g) Estimular a realização de eventos locais e regionais com temáticas relacionadas aos problemas locais de C&TI discutindo o papel educativo e mobilizador da mídia, dos cursos de jornalismo, das ONGs e dos poderes públicos e privados para a criação de Cidades Saudáveis;

h) Estaremos empenhados em aumentar a interação com entidades internacionais na área de Jornalismo Cientifico, buscando troca de experiências, realização de projetos conjuntos e intercâmbio de informações.

A nova diretoria da ABJC

Presidente: Wilson da Costa Bueno
      Jornalista, professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UMESP e professor de Jornalismo Científico da ECA/USP. Mestrado e doutorado em Comunicação e especialização em Jornalismo Científico e Comunicação Rural. Editor de 4 sites temáticos em Comunicação, um deles na área de Jornalismo Científico, editor de 4 revistas digitais, uma delas Ciência & Comunicação. Consultor de empresas na área de Comunicação Empresarial. Diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa.

Vice-Presidente: Cilene Victor da Silva
      Diretora de redação da revista Com Ciência Ambiental e professora do curso de Jornalismo do Centro Universitário Nove de Julho - Uninove, é jornalista, com atuação no jornalismo ambiental e científico desde 1991. Tem especialização em Comunicação Aplicada à Saúde, mestrado em Comunicação Científica e Tecnológica (Universidade Metodista de São Paulo) e doutorado em Saúde Pública (Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo). Ex-bolsista do Goethe Institut (São Paulo), foi pesquisadora-visitante na Universidade de Münster, Alemanha, e no Centro de Percepção de Riscos da Faculdade de Economia de Estocolmo, Suécia.

Diretoria Administrativa: Graça Caldas
      Jornalista desde 1969. Graduada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (URFJ-1973). Atuou em vários veículos de comunicação, entre eles Diário de Notícias e TV Globo (Rio de Janeiro), Folha de S. Paulo e Jornal do Brasil (São Paulo), assessorias de imprensa da Prefeitura de Campinas e da UNICAMP (11 anos). Curso de Treinamento à Distância em Jornalismo Científico pela Capes (1982). Especialização em Comunicação Integrada pela Fundação Dom Cabral/PUC-MG (1987). Mestre em Comunicação Científica e Tecnológica pela Universidade Metodista de São Paulo (1988). Doutora em Ciências da Comunicação pela ECA/USP (1995). Ex- Professora do Curso de Jornalismo da PUC-Campinas, do Lato Sensu em Comunicação da PUC-SP. Desde 1997 é professora-pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), onde também coordenou o curso de Jornalismo e dirigiu a Faculdade de Jornalismo e Relações Públicas. Diretora Acadêmica da Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC-2001-2002). É líder do Grupo de Pesquisa do CNPq, Comunicação Científica e Tecnológica. É professora-pesquisadora do curso Lato Sensu de Jornalismo Científico do Labjor/UNICAMP e do Curso de Jornalismo Científico da UNIVAP. Coordena o curso Lato Sensu de Jornalismo Contemporâneo das Faculdades Metropolitanas de Campinas (METROCAMP), onde atua, também, como Coordenadora de Pesquisa e Extensão da instituição desde fevereiro de 2006. É editora da revista acadêmica: Comunicação, Cultura e Cidadania.

Diretoria Acadêmica: Simone Bortoliero
      Jornalista especializada na produção de vídeo cientifico e educativo. Doutora em Comunicação Cientifica e Tecnológica pela Universidade Metodista de São Paulo. Atuou como jornalista e produtora de vídeos na UNICAMP (1983-1993). Foi responsável pela programação científica e pela implementação da TV Universitária da Universidade Federal de Uberlândia (1994-1997). Professora da PUC de Campinas (1998-2000) e da Universidade de Uberaba (2000-2001) tendo sido premiada com a produção de vídeos científicos no INTERCOM 2000, 2001 e 2002. Professora de Telejornalismo e Jornalismo Cientifico e Ambiental da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (desde 2002). Professora da Pós em Ensino, Filosofia e História das Ciências do Instituto de Física da UFBA e da Pós em Cultura e Sociedade da FACOM/UFBA. Diretora da ABJC na gestão 2004/2005, tendo sido a coordenadora do VIII Congresso Brasileiro de Jornalismo Cientifico, o 1º a ser realizado na região nordeste do país.

Diretoria de Divulgação e Publicações: Ilza Maria Tourinho Girardi
      Graduada em Jornalismo pela Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS. Mestre em Comunicação, área Comunicação Científica e Tecnológica, pela UMESP. Doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Professora Associada na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação e também no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da UFRGS. Criou a disciplina Jornalismo Ambiental, que é ministrada desde 2003. Para o novo currículo do curso de jornalismo criou a disciplina Jornalismo Científico. Tem orientado monografias de graduação e dissertações de mestrado focadas no jornalismo ou na comunicação ambiental. Fundadora e diretora do Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul – NEJ/RS.Membro da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental.

Diretoria de Eventos: Ruth Fátima de Rendeiro Palheta
      Jornalista há 30 anos, sendo que há 23 desenvolve suas atividades na Embrapa Amazônia Oriental (Belém, Pará) é, dentre outras atividades, editora do Jornal do Trópico Úmido e palestrante de cursos que tratam da relação jornalistas/cientistas e media trainnig. Como free lancer fez assessoria de imprensa em diversos eventos técnico-científicos relacionados a temáticas amazônicas como a I e II Conferências Internacionais do Projeto LBA (Experimento de Larga Escala da Biosfera-Atmosfera da Amazônia). Tem se empenhado em buscar a divulgação, no âmbito regional e nacional, de assuntos relacionados à Amazônia aliando ciência, técnica e uma linguagem acessível às populações “não-alfabetizadas” em Ciência. Atualmente é professora no curso de Comunicação Institucional, na Faculdade de Tecnologia da Amazônia (FAZ) e integra, como adhoc, a comissão técnica da Embrapa que analisa, nacionalmente, os projetos de comunicação empresarial e transferência de tecnologia.

 
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